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De número 4 do mundo à ameaça de sair do top 1000: a dura reconstrução de Holger Rune

Holger Rune durante torneio de tênis em Basileia em 2024, foto de arquivo

De número 4 do mundo à ameaça de sair do top 1000. A trajetória recente de Holger Rune mostra como uma lesão grave pode mudar o rumo de uma carreira promissora. Após cerca de 11 meses afastado por uma ruptura do tendão de Aquiles, o dinamarquês de 23 anos tenta reencontrar o ritmo de competição, as vitórias e a confiança que o levaram à elite do tênis.

Foto: Holger Rune no torneio de Basileia, em 2024 (imagem de arquivo). Crédito: Skyscraper2010 / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

Uma queda que poucos imaginavam

Rune entrou muito cedo no radar do tênis mundial. Segundo o histórico da ATP, já aparecia próximo do top 1000 em 2019, quando tinha 16 anos, e alcançou a quarta colocação do ranking em agosto de 2023. Agora, a perda dos pontos acumulados antes da lesão ameaça levá-lo para além da milésima posição.

Uma projeção publicada em 9 de outubro aponta uma queda para aproximadamente o 1.186º lugar em 19 de outubro, quando pontos de 2025 deixam de contar. Trata-se de projeção, não de ranking oficial já confirmado. O número de 1.206º também circula em estimativas, mas não foi possível confirmá-lo em fonte oficial nesta apuração.

A ruptura do tendão de Aquiles e 11 meses de recuperação

A interrupção começou em outubro de 2025, durante uma semifinal em Estocolmo contra Ugo Humbert. Rune sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles, precisou de cirurgia e passou por um longo processo de reabilitação. O retorno inicialmente planejado para o primeiro semestre de 2026 foi adiado para preservar sua recuperação.

O ex-top 4 passou meses longe dos principais torneios e perdeu a oportunidade de defender pontos importantes. O efeito no ranking é duro, mas não representa necessariamente seu nível técnico atual: o sistema contabiliza resultados recentes, não o potencial do atleta.

O retorno e a busca pela primeira vitória no circuito

O dinamarquês reapareceu na Copa Davis em setembro e venceu duas partidas pela seleção de seu país, inclusive diante de Grigor Dimitrov. No circuito ATP, porém, o recomeço foi mais complicado. Rune perdeu na estreia do ATP 500 de Tóquio para Kyrian Jacquet e, no Masters 1000 de Xangai, foi superado por Daniel Altmaier em três sets, por 1/6, 7/6(5) e 6/4, depois de começar bem a partida.

O desempenho mostra o tamanho do desafio: não basta estar recuperado clinicamente. É necessário recuperar deslocamento, explosão, leitura de jogo e capacidade de competir sob pressão contra adversários em plena atividade.

O ranking protegido pode ajudar na reconstrução

Rune dispõe de ranking protegido para solicitar entrada em torneios, mecanismo previsto para atletas que ficam afastados por lesão prolongada. Conforme informações divulgadas pelo torneio de Basileia, ele pode utilizar uma classificação protegida equivalente ao 14º lugar para ingressar em determinadas chaves. Esse benefício não equivale a recuperar a posição no ranking oficial nem garante condição de cabeça de chave.

Uma nova carreira começa agora?

Aos 23 anos, Rune ainda tem tempo para reconstruir sua trajetória. Mas a volta exige paciência: os primeiros resultados podem demorar, e cada partida competitiva passa a ser parte do processo. A grande pergunta não é apenas quando ele voltará ao top 100, mas como conseguirá reencontrar o tênis agressivo que o transformou em um dos talentos mais observados de sua geração.

Fontes: ATP Tour — recuperação após cirurgia; Swiss Indoors Basel — retorno e ranking protegido; Punto de Break — partida em Xangai; Archysport — projeção do ranking.

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